Devolvendo o “R” ao RPG

Lá estava eu felizinha brincando na internet, quando eu li um arquivo interessantíssimo na RPGMaker Brasil:
Ele se chama “
Botando o “R” de volta mos RPGs
Após lê-lo eu notei que isso não acontece apenas em RPGs de computador, mas também acontece com muita frequência nas nossas mesas.
O fato é que muitas vezes os jogadores(E também o mestre) acabam se esquecendo da interpretação, e o jogo vira um jogo “só de porrada”.
Antes que eu inflame uma briga antiga de RPGistas: Eu nunca joguei storyteller, então, não tenho nada a ver com essa rixa, ok? Jogando D&D é bem possível fazer tramas mito legais com conspiração, drama e MUITA interpretação, sem deixar o bom e velho combate de lado.
Uma coisa que acontece com frequência é o sujeito escrever a história do personagem pensando apenas em ser o “porrador” do grupo, e se esquece do interior do personagem.
Não entendeu? A titia Eirea te explica:
O meu mestre  certa vez me disse que sou uma atriz de RPG (Confundiu ainda mais? Espera…) Ou seja: Eu fazia o personagem pensando em ser o mais profundo possível, e não em ser o apelão. Isso resultou em uma elfa ladina cheia do problemas psicológicos, claustrofóbica, que dorme mal e é beeeeeeem depressiva (Mas nunca EMO), ou seja, ela tem suas fraquezas bem definidas, em um sistema que não usa desvantagem para contar pontos. Isso acaba criando um personagem profundo, apesar de ter pontos fracos que devem ser respeitados. E muitos também acabam ignoram a história do próprio personagem, ou então fazem uma história muito superficial. Poucos sabem o quanto é gratificante escrever a história do seu personagem desde o nascimento, narrar pontos importantes, definir quem marcou suas vidas, e o impacto que tudo isso causou nele(a). Coisas assim acabam definindo as atitudes que o seu personagem virá a tomar.
Exemplo:


Você resolve atacar um goblin. Pergunta: Porquê?

  1. Você é um elfo, e elfos odeiam goblinóides

Tá, e daí?

  1. Porque sim, oras! É cultural!
    Não tem resposta melhor pra dar não?
  2. Porque a aliança negra destruiu Lenórienn, e o despatriou.
    Ao menos você conhece a história de Arton (Nem que seja um pouco)… Mas eu sei que você pode fazer melhor…

Está bem, mas e se você não for um elfo?

  1. Além da destruição de Lenórienn, um goblinóide aleatório fez muito mal ao seu personagem ou a alguém caro a ele e o deixou com raiva.
    Se desenvolver essa idéia melhor, ficaria bem interessante…
  2. Goblinóides são feios
    Sim, eles são… Mas acho que ninguém deve apanhar por ser feio…
  3. Um exército desses verdinhos destruiram a aldeia desse personagem
    Legal… Clássico mas interessante. Se tiver um motivo melhor ainda.
  4. Numa noite de chuva, eles invadiram sua casa e mataram seus pais na sua frente depois ficaram rindo da sua cara
    Vou fazer de conta que essa resposta não foi dada, ok? ¬¬ Tenta de novo.
  5. Porque era minha missão
    Ehr… simples e eficaz. A não ser que o seu personagem deva ter restrições quanto a atacar.
  6. Porque eu quis
    Esse nem se deu ao trabalho de tentar justificar…

Bom, vocês acabaram de conferir uma listinha de motivos possíveis para algo simples como dar porrada em um goblin (Confesso ser realmente divertido). O que eu pretendia com isso? Nem eu sei ao certo. O fato é que definir a história do seu personagem irá também definir como ele vai agir, e suas razões para isso. Isso o torna inclusive mais previsível para os outros jogadores, que podem notar quando você fizer um “improviso” durante uma missão.
Vou usar um exemplo do que aconteceu na nossa quarta aventura (Que logo será postada, assim que o meu namorado me mandar a segunda).
Ao entrarmos em um jantar, com a missão de capturar um certo sujeito, Firlel, o nosso elfo necromante (E também um nobre) após dizer que era um alto conselheiro do rei-imperador Thorm(E sim, ele já foi um dia), ele se apresenta ao anfitrião (o sujeito que deveríamos capturar). Ele o cumprimentou e o ofereceu um presente: minha personagem para fazer companhia a ele essa noite(Momento em que surpreendemos o mestre xD). Então, após um tempo sentada ao lado dele, ela tenta flertar com o guarda, para tirá-lo de lá. Ao ser ignorada, Meldavendea(o nome dela) simula um desmaio com a intenção de ficar a sós com o anfitrião. O resultado no teste de blefar foi tão alto que sequer os outros membros do grupo entenderam o que aconteceu, e pensaram que eles haviam sido descobertos e ela havia sido envenenada. Resumindo: a missão deu errado, em razão da falta de sincronia e de integração entre os próprios personagens.
Agora, caso os personagens membros do grupo já conhecessem o seu estilo de combate, ou o seu modo de improvisar, eles teriam notado que foi apenas uma farsa e seguiriam conforme o planejado, todavia, como o grupo acabou de se reunir, isso é impossível.
Então, alguém diz: mas se vocês não ficassem tão cheio de frescuras com interpretação, isso não teria acontecido. E agora eu o pergunto: E a graça, aonde é que fica?
Vou responder isso com outro exemplo da mesma aventura, com o mesmo casal de personagens.
Melda e Firlel tem uma história antiiiiiiiga… Já foram noivos, e tiveram um fim traumático. Cada um tem uma reação em relação ao outro, e os motivos do jeito de cada um agir estão nas histórias deles. Nas razõe spor terem tomado as atitudes que tomaram, etc… Durante a aventura, já começaram a rolar algumas briguinhas entre eles… Coisinha saudável de casal, sabe? Coisa que só rola em RPGs que fazem jus ao significado da sigla. E é realmente divertido. O mais legal, é que, cedo ou tarde, esses dois vão parar de draminha e se resolverem. De um jeito bem interessante (ou não).


RPG= Role Playing Game, ou seja, Jogo de Interpretação.
Caso tiremos o “R” ficaria:
Playing Game= Jogo Jogável (?) Acho que qualquer jogo é jogável, né?

Isso pode até ser frescura de garota maluca que faz teatro e acaba se empolgando com isso, mas acreditem: desse jeito é beeeeem mais divertido (Só não vale matar o coleguinha ao cometer um erro crítico, ok? ;) hehehe)

9 Comentários

  1. Sempre dei mais valor ao R do que ao G. Não que eu seja um “ator” de RPG, mas acredito na profundidade de uma personagem ser medida pela influência dela numa campanha. Um exemplo ilustre é a Petra (Holy Avenger), humana, indefesa, sem olfato mas mesmo assim é uma das personagens mais legais da HQ. Sem a Petra o Tork seria somente um Trog apelão qualquer e Vladslav um mago necromante como tantos outros…

    Atualmente percebo como a interpretação é importante graças a uma aventura que estou jogando via “e-mail”. A emoção é outra. É como se você estivesse torcendo pelo seu heroi em um filme, com medo que uma decisão errada estrague tudo. Só que quem toma as decisões é você.

    http://tormentarpg.multiply.com

  2. “É como se você estivesse torcendo pelo seu heroi em um filme, com medo que uma decisão errada estrague tudo. Só que quem toma as decisões é você.”

    Essa definição foi perfeita!!!
    E, dependendo do seu mestre, e dos jogadores, a sensação fica exatamente como essa!

  3. Na minha opinião isso depende do grupo… eu prefiro campanhas com bastante roleplay mas já tive grupos com características muito diferentes.
    Para um grupo que ama roleplay mesmo um sistema que na teoria tem muito pouco de Roleplay o pessoal faz o roleplay acontecer…
    Agora se o grupo só quer saber de pancadaria, estratégia e testar os novos feats, powers etc… eles podem jogar um jogo que tem como foco o Roleplay como se fosse um video-game ou MMORPG…
    Concordo com o texto que RPG com foco no R é bem melhor!!!!!

  4. Role Playing Game

    Pois é,
    realmente depende do jogador quando e de qual forma ele vai evoluir seu personagem e a si mesmo dentro do universo de uma campanha, o ‘role play’ em si é mais do que uma jogada de dados, é interpretação – sua criatividade –

    Eu não sou o melhor jogador do mundo em questão de interpretação – estou longe disso -, mas com ajuda do narrador, uma boa história de fundo para o seu personagem, a campanha é diversão garatinda para todos.

    Lembremos que as melhores histórias são aquelas que ficam com você, aquelas com que você se identifica, histórias que tem algo a dizer.

  5. Concordo com a ‘titia’. Acho que o ‘jogo’ tem sido levado muito em consideração, quando falamos nos últimos sistemas que andam aparecendo por ai.

    Já joguei Storyt… e também D&D [e assim como a Eirea, não quero abrir discussões sobre esse ou aquele sistema]. Mas todo mundo vai concordar com o que ela falou no post, mas até agora não vi um post ou artigo sequer na internet reclamando que, em D&D4, foi gasto somente uma página falando sobre a personalidade do seu personagem. Todo o resto do livro é voltado para estratégias, perícias, habilidades e etc…

    Eu comprei o livro, estou jogando, vou mestrar e gostei dele, mas tenho a cara de pau pra dizer que ele é bom SÓ no que se propõe, que é ser um bom sistema de estratégia.

  6. Role play da forma correta – e com um pouco de sorte – até salva vidas de personagens

    Nesse último domingo, eu e meus amigos jogávamos uma adaptação
    do anime Bleach.
    Todos jogavam de Shinigami, óbvio…
    menos eu, preferi ser um arqueiro – ou Quincy, como são chamados.
    Pois bem,um dos “poderosos” shinigamis levou tanto dano que ficou
    as portas da morte.
    Quincys odeiam Shinigamis – já que os shinigamis foram responsáveis pela quase extinção do Clã Quincy.
    Meu personagem viu um dos shinigamis – personagem de um amigo – ser atacado.
    uma.
    duas.
    três vezes.
    até o momento em que o inimigo ia desferir o golpe final – literalmente -
    Até que meu personagem disparou uma flecha com a seguinte frase:
    - “Eu ainda não dei permissão pra você morrer.”
    A cena acabou impedindo o ataque final – e consequentemente salvando
    o personagem que já estava no dano negativo –

    Role play e um pouco de sorte.

  7. Interpretação, sorte, esperteza e raciocínio rápido.
    Assim, as restrições do personagem nem são mais uma desvantagem tão grande!
    xD

  8. R = P + 2 letras
    G = P – 9 letras

    RPG = R * P * G = R * (R-2) * (P-9) = (R^2 -2R) * (R-2-9) = (R^2 -2R) * (R-11) = R^3 -2R^2 -11R^2 +22R =
    R^3 – 13R^2 + 22R = 42

    Brincadeiras a parte, adorei o texto.
    Acho que falta um pouco disso em cada mesa, o pessoal ve algum “inimigo” e já vai logo atacando. Talvez falte também um pouco do mestre em colocar uns personagens estranhos mas não deliberadamente maus. um kobold que só está de passagem e apesar de ser mesquinho não ser realmente maligno, seria um exemplo pra fazer os personagens pararem para pensar antes de sair atacando qualquer um apenas porque é “feio” ou apenas porque estava numa masmorra.

    =)


RSS Comentários URI identificador de trackback

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.